Domingo, 5 de Julho de 2009

Aos Alunos

Abaixo, queridos, o link para o download dos e-books de Alice. VCs já sabem. Clica no disquetezinho do lado esquerdo da janelinha do acrobat e salva. O ambos tem apenas Alice's Adventures in Wonderland. Não tem "através do espelho". O primeiro é em Português. o segundo, Inglês. Esforcem-se e bom trabalho! Beijos!

http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/alicep.pdf

http://birrell.org/andrew/alice/Alice.pdf

Sábado, 9 de Maio de 2009

No dia das Mães


Eu daria uma boa mãe. Seria uma boa mãe. Não por causa da vontade que me dá de vez em quando e do arrebatamento repentino, aquela vozinha que escuto que diz "não é tempo ainda", mas porque a responsabilidade de ter alguém que sai de você é, no mínimo, atrativa.

Tenho insônia de vez em quando, aí levanto, vou à cozinha, vejo o que não está passando na TV, fico sentada na minha cama olhando os livros, leio alguma coisa, escrevo alguma coisa no caderninho só pra depois não encontrar o que escrevi porque meu quarto anda virado pelo avesso porque nunca procuro as coisas no lugar certo. Aí fico pensando em como as coisas seriam "se fossem". Gostaria da amamentação, dos olhinhos fechados, das unhas curtinhas e do meu desespero em não saber como cortá-las, do narizinho sem forma, da cara de joelho, das eructações, das regurgitações, também, da barriguinha grande, de beijar, morder, amassar, do cabelinho caindo na hora do banho, dos curativos no umbigo, das noites não-dormidas - porque hoje dou o maior valor a conseguir dormir um pouco mais.
Gostaria de lamentar que antes podia dormir e passar a noite em paz com o pai, que podia tomar um banho completo, que podia colocar maquiagem de vez em quando, que podia usar meus óculos sem ter quem tirasse a toda hora. Gostaria de chorar o tempo que não teria para passar com meu(s) filho(s), porque faz parte da vida a impressão que temos de não ter tempo para desfrutar de tudo o que quereríamos. Choraria o medo de perder os filhos.
Gostaria da aflição da primeira queda, do primeiro galo, do meu choro de desespero com medo de perder, da primeira farda da escola, de preparar a lancheira, dos joelhos arranhados da queda, gostaria de chorar no primeiro choro sentido deitando no meu colo e pedindo "mainha, não me deixe só aqui", ou "mainha,nunca morra". Gostaria dos palavrões na hora de reclamar com o porco que não ia tomar banho nunca, com as manias irritantes, dos "carões" dizendo que herdara os defeitos do pai. Gostaria de parar certos momentos e ficar guardando a cena para sempre, de querê-lo sempre naquela idade, para que não conhecesse os perigos no mundo, que a responsabilidade de afastar os problemas fosse sempre minha, e de minha vontade. Choraria o medo de perder os filhos.
É típico de mãe não querer que o filho tome decisões; é dela o desejo permanente de escolher tudo para que ele não passe pela decepção de errar. Mãe nunca quer que a gente erre, mas é obrigada a deixar. É obrigada a deixar que o filho se divirta até fora de casa. Eu encontraria o que fazer enquanto os esperaria voltar das festas em que eu não saberia o que estariam fazendo, com quem estariam, a que hora voltariam, ou se voltariam. Choraria o medo de perder os filhos
Esperaria ansiosamente pelas discussões da adolescência, dos sermões que seriam engraçados se recitados por mim contundentes, as caras feias, os cheirinhos de reconciliação, os meus pedidos de desculpas, as reclamações sobre a desorganização do quarto, das roupas, das amizades, das recuperações, das preocupações sobre o futuro. Choraria o medo de perder os filhos.
Angustiaria-me profundamente sobre se aceitaria o conceito de felicidade e se me sentiria sempre absolutamente feliz com a felicidade dele(s). E seria feliz com apenas seu rosto de contentamento. Questionaria sempre se se sentiriam bem com sua ocupação, apoiaria as idéias mais descabidas deles, mesmo com tom de abuso e contrariedade se fosse o caso de aquietarem o desejo de serem contentes com a própria vida.
Choraria o medo de perder os filhos - na convivência, nas quedas, nas viagens, nas dormidas fora de casa, no trabalho, no caminho da escola ou do trabalho de volta pra casa, de casa para o lazer, de mochila nas costas e passagem na mão, choraria o medo de perdê-los para os infortúnios, para a criminalidade, para os acidentes, para o trabalho escravizante, para a escravidão dos vícios. Enxergaria todas as suas faltas, mas nunca permitiria que alguém as apontasse. Nunca permitiria que alguém os atingisse em minha presença. Nunca permitira que se defendessem sozinhos, mesmo que fisicamente fossem maiores que eu mesma, porque por dentro a minha presença sempre os deixaria indefesos e cativos.
E ainda assim me lamentaria o quanto não estaria preparada para ser mãe, entraria em desespero com o medo da separação, estando preparada para a delícia de sentir todas as pequenas dores de amar o que seria meu. Seria uma boa mãe. Seria sim.

Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Dropping by...


Tem coisas na vida que a gente deixa de fazer não por falta de vontade, mas em função das obrigações, digo, deveres. Tão verdade que também temos que fazer outras com que não temos tanta afinidade pelos benditos deveres.

Fazemos o que não gostamos, criamos responsabilidades, tomamos novas responsabilidades para nós, aprendemos a gostar do que fazemos. Conhecemos nossos defeitos, tentamos escondê-los, as pessoas os encontram. Admitimos nossas qualidades e temos que passar a vida inteira tentando mantê-las. Difícil? Imagina!

Aprendemos a gostar de algumas pessoas, descobrimos que outras não merecem nossa mínima atenção - aprendemos a deixar passar algumas coisas, aprendemos a fazer passar algumas pessoas, aprendemos a agarrar outras e nunca soltá-las.

Aprendemos a cantar alto, mesmo que estejamos a sós. E quando com outra pessoa a sós cantamos a canção de se apaixonar sem dizer uma palavra sequer.

Experimentamos o ciúme, a inveja, o desgosto, o desprezo, temos que escondê-los. Aprendemos a soeltrar, a escrever, a nos expressar. Aprendemos a engolir sapos com farinha e aprendemos a controlar nosso sangue.


Dessa semana:

Katy Perry - Thinking of you
James Morrison ft. Nelly Furtado - Broken Strings
James Morrison - You make it real
Timbaland ft. Keri Hilson - The way I are
Beyoncé - If I were a boy

Filme:
Ele não está tão a fim de você (He's just not that into you)

Domingo, 5 de Abril de 2009

Pequenas observações


Sempre fui desastrada. Sempre. Se tem alguma coisa solta em um raio de 1,5m não há como duvidar - derrubarei com meus quadris, cotovelo, joelho ou mão tentando sacudir alguma mosca. Contando com o fato de que até quando estou tentando ser extremamente séria (pra não dizer bonita, ou sexy, ou interessante) bato a testa em algum lugar, na testa de alguém (desculpa, amooooor) e morro de medo/nojo de anfíbios (graças a Deus nunca tentei beijar sapos... sempre achei os príncipes certinhos, lindinhos demais...) e talvez isso até seja interessante - fazer rir sem querer, porque acho isso legal nas pessoas: serem espontâneas.


Bem, semana cheia de tudo. Coisas novas, coisas boas, coisas péssimas, boas constatações/rememorações/aprendizados: quase tudo se satisfaz com as mãos. Depois do tato, a audição, depois a visão, depois pelo sabor, ou se for tudo junto, melhor ainda. Trilha sonora da semana:

1 - Kelly Clarkson - My Life Would Suck Without You
2 - Kelly Clarkson - Cry
3 - Kelly Clarkson - Don't Make me Stop You
4 - The Cult- Painted On My Heart
5 - Paramore - Crushcrushcrush
6 - Beirut - Elephant Gun
7 - Jordin Sparks - One Step At a Time
8 - Creed - With Arms Wide Open
9 - Franz Ferdinand - Ulysses
10 - The Fray - Over My Head
11 - The Fray - You Found Me
12 - Justin Timberlake - Sexyback
13 - Nicole Scherzinger - Whatever U Like

Misturadíssimo. Sou eclética, eu sei... gosto do bom e do trash. Thank you very much.

Filmes:
Sombras de Goya
Bonequinha de Luxo

Café:
Bourbon

Pra baixar e ver:
Gossip Girl
The Mentalist

Domingo, 22 de Março de 2009

Talvez tenha mais que uma metade...


[Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço; e que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada]
Todos temos dias bons e dias ruins. Como? Você nunca teve? Nunca teve dias seguidos achando que continuaria a ver sempre em preto-e-branco? Tenho tido desses dias.
Sabe, nem sempre tenho vontade de andar por aí distribuindo simpatia, mas tenho quem queira me ver feliz sempre. Quero me fazer feliz. Quero que queiram me fazer feliz, assim como me habilito a complementar a quem quer que a minha vida se destine.
[Porque metade de mim é o que penso mas a outra metade é um vulcão...]
Sou uma pessoa pacífica; amo além da conta e fico entalada – tanto no amor como nos desgostos. E triste de quem acha que quando se fala de amor, refere-se apenas ao amor carnal, ao amor romântico. Fala-se do amor fraternal, dos laços de amizade, da continuidade do ser-no-mundo e, claro, também se pode falar naquele amor entre os amantes. Amor é universal.
A mente pequena não consegue medir além dos 3 centímetros quadrados de sua limitada da massa cinzenta. Eu meço mais do que minha alma pode atingir.
Sabe, eu já tive planos... objetivos sonhados, algumas vezes ao limite da concretização, mas a vida nos obriga a mudar de rumo, as pessoas nos obrigam a mudar de rumo, as vozes interiores nos obrigam a mudar de rumo. Não sei se ou quando mudarei novamente o meu, mas me sinto presa ao meu coração. Uma prisão estranha, porque ao mesmo tempo me sinto livre dentro de meu próprio mundo. Às vezes passarinho, às vezes lagarta. E ainda gosto; ainda amo o que tenho e amo mais ainda o que sou.
[Que o medo da solidão se afaste e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável; que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que me lembro ter dado na infância; Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...]
Sabe, eu sou boa; boa porque isso é uma questão de referencial. Para Deus sou filha, para minha mãe sou perfeita, para meu pai, sensível demais; para os amigos, companheira – nas brigas e nas risadas; e para quem me merece, bem, que seja perguntado e a resposta que se considere justa. Para mim eu sou boa (e me zelaria, também, por demais - se eu não fosse eu e se já não fosse zelada).
Merece-me quem pode; merece-me quem é bom – assim como eu. Nem tão mais, nem tanto menos. Medidas iguais afirmam a justiça. Tenho qualidades que prezo e não preciso de que fiquem me lembrando delas – muito menos das minhas falhas. Por isso tento não apontar.
[Porque metade de mim é abrigo mas a outra metade é cansaço...]
Não escrevo só sobre o que é bom, porque também sou triste. Falo das tristezas com os dedos e expresso minhas alegrias com meu corpo, e assim quase ninguém me conhece – e quem conhece se confunde. Minha mente é pesarosa. E às vezes me sinto tolhida. Tolhida porque mesmo livre por dentro, limito-me por fora; há sempre algo que dosar, que medir, que observar, para não pisar em falso. Eu rolo no chão em falso, porque minhas tristezas não se limitam às pessoas-corpos, ou à unicidade do ser; minhas tristezas também se limitam a minha e unicamente minha pessoa.
[Porque metade de mim é o que ouço mas a outra metade é o que calo...]
Sabe, eu cuido da minha vida, cuido de quem eu amo e pretendo ser cuidada. Confio, para ser confiada, acarinho para ser acarinhada. Respeito para ser respeitada – respeito a quem prezo e até quem não conheço. E amo. Amo muito. Amo esperando ser amada.
Sabe, eu me apaixonei e tenho tentado construir algo verdadeiro por algum tempo. Felicidade a minha por ainda me sentir hábil, terna e viva para crer que minha satisfação possa durar – e que continue pulsando assim.

Às vezes tenho, mesmo, o mesmo desejo oculto dos meu co-habitantes do planeta – o de ir embora, de jogar tudo para o alto de vez em quando, de me esconder não para não ser vista, mas de não ter que ver – às vezes, confesso, e com maior intensidade, talvez. E me desculpo – e às vezes soa deveras estúpido, eu sei, por me sentir mal por algum instante de inquietude interior. Soa estúpido demais sempre que tens que te desculpar por aquilo que és. Mas é uma constante. Não só a mim, com certeza absoluta. Sabe, você pode não saber disso agora, mas decerto ainda saberá.
Amo em som estéreo e sinto entalos em silêncio – não pelo que é externo a mim, mas sou assim, mesmo. Às vezes preciso de ajuda, às vezes preciso de companhia, só a simples presença, mas acho desinteressante expressar, acho pretensioso chamar alguém, porque quem entende a incompletude de outra pessoa é porque conhece a si mesmo e se importa, de alguma forma. Eu me importo.

[Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.]


Trechos em negrito entre colchetes da música de Oswaldo Montenegro - Metade de mim. É a que melhor me descreve hoje. Trechos destacados em vermelho, itálico e verde para serem entendidos de verdade. Sempre escrevo com significações nas entrelinhas, mas ainda há gente que insiste em não entender nada além do que está sob seus olhos nus.
O blog tem tido uma audiência maior que eu previa. Exemplo disso é uma amiga que não vejo há muito tempo que tem acompanhado. Por esse e demais motivos vou tentar agora mais que antes atualizar com mais freqüência. Pra "matar os fúteis dos bofes" e deliciar mesmo que seja a mim mesma.